quinta-feira, julho 26, 2007

To My Immortal



There´s always an Immortal inside us....


Melody

quinta-feira, julho 12, 2007

As Sete Maravilhas

Sete maravilhas do Mundo Antigo


(Farol de Alexandria)


A origem da lista é duvidosa, normalmente atribuída ao poeta e escritor grego Antípatro de Sídon, que escreveu sobre as estruturas em um poema. Outro documento que contem tal lista é o livro De septem orbis miraculis, do engenheiro grego Philon de Bizâncio. A lista também é conhecida como Ta hepta Thaemata ("as sete coisas dignas de serem vistas"). Os gregos foram os primeiros povos a relacionar as sete maravilhas do mundo entre os anos 150 e 120 a.C.. Extraordinários monumentos e esculturas erguidos pela mão do homem, construídos na antigüidade fascinam por sua majestade, riqueza de detalhes e magnitude até hoje. Podemos imaginar o aspecto que outros monumentos e esculturas tinham a partir de descrições e reproduções estilizadas em moedas.


Eram elas:

1 As sete maravilhas
1.1 Pirâmides de Gizé
1.2 Jardins Suspensos da Babilônia
1.3 Estátua de Zeus em Olímpia
1.4 Templo de Ártemis em Éfeso
1.5 Mausoléu de Halicarnasso
1.6 Colosso de Rodes
1.7 Farol de Alexandria


(in Wikipédia)


Novas Sete Maravilhas do Mundo





(Machu Picchu)

A escolha das Sete Novas Maravilhas do Mundo, foi organizada pela fundação New 7 Wonders, com sede em Zurique. A fundação foi criada em 2001 pelo filantropo suíço Bernard Weber, com o objetivo de proteger o património da humanidade.

1 A lista original
2 Novas Sete Maravilhas do Mundo
3 Listas alternativas
3.1 Maravilhas modernas
3.2 Maravilhas naturais
3.3 Maravilhas subaquáticas
4 Veja também
5 Ligações externas e referências
5.1 Sobre as sete maravilhas da Antiguidade
5.2 Sobre as listas alternativas
5.3 As sete maravilhas de Portugal
6 Notas


(Wikipédia)

Será que estas Sete Maravilhas durarão tantos séculos como as suas antecessoras?

Farão elas parte do imaginário infantil, como as que nos foram ensinadas e por nós tantas vezes idealisadas?

Darei o benefício da dúvida...ou talvez não...!

Melody

sábado, julho 07, 2007

O Declínio da Terra




A União Europeia publicou, na semana passada, um relatório científico segundo o qual as alterações climáticas devastarão o continente, à medida que o aumento das temperaturas vai destruindo os ecossistemas.



A tradicional fertilidade dos solos europeus, que deu ao mundo a vinha e o olival e que actualmente produz cruciais quantidades de cereais, leite e lacticínios, não sobreviverá às alterações climáticas deste século. A vida selvagem será, também, completamente destruída.



Prevê-se que o Mediterrâneo se torne demasiado quente para as actividades turísticas que tanto contribuem para a economia dos países da região e a neve de montanhas como os Alpes derreterá, resultando também em enormes consequências económicas. Os impactos sociais também serão sentidos, com o aumento da taxa de mortalidade causada pelo calor e de eventos meteorológicos extremos.



De acordo com o The Independent, este relatório deverá ser utilizado pela União Europeia na defesa das novas metas anunciadas para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, no esforço de combate às alterações climáticas.



A Comissão Europeia já propôs a definição de novos objectivos para 2020, advogando a diminuição das emissões da Europa em 30 por cento, se outros países desenvolvidos aderirem à iniciativa. Sem a participação destes, a União Europeia está disposta a reduzir as emissões, mesmo assim, em 20 por cento, face aos níveis de 1990.



A realidade é que os elementos essenciais da vida humana civilizada, como a alimentação, a água, a madeira e o combustível, estão todos dependentes do funcionamento equilibrado dos ecossistemas. Se as alterações climáticas devastarem, como previsto, esses ecossistemas, as consequências serão desastrosas.



«Embora resultem em melhorias para alguns serviços ecossistémicos, uma grande porção sofrerá impactes adversos devido à seca, à redução da fertilidade dos solos, aos incêndios e outros factores causados pelas alterações climáticas», lê-se no relatório comunitário.



«A Europa pode esperar um declínio da terra arável, um declínio nas áreas florestais do Mediterrâneo, um declínio nos armazéns de carbono e na fertilidade dos solos e um aumento do número de bacias com escassez de água. Aumentará a perda de biodiversidade», cita o The Independent.



O relatório admite que alguns países sairão beneficiados das alterações climáticas. O Norte da Europa deverá conhecer um acréscimo dos rendimentos agrícolas, a par de uma popularização da actividade turística devido às temperaturas demasiado quentes do Sul do continente. As mortes devidas às baixas temperaturas de Inverno vão baixar.



Contudo, os efeitos negativos são muito superiores a estas vantagens. Nos países do Mediterrâneo, a produção agrícola vai decrescer dramaticamente devido às secas e os incêndios florestais vão tornar-se ainda mais frequentes, dificultando a actividade agrícola. Além disso, alguns stocks de espécies piscatórias vão deslocar-se dos seus presentes habitats à medida que a água do mar for aquecendo.



Outras ameaças directas das alterações climáticas são mencionadas pelo relatório, como é o caso dos custos de intervenções nas áreas costeiras para controlar o aumento do nível das águas do mar; prevê-se que este tipo de obras venha a custar milhares de milhões de euros.



Acresce que a frequência e magnitude de desastres naturais vão subir, com inundações cada vez mais frequentes e severas a afectar muitas áreas do continente europeu. Os custos totais dos danos causados por este tipo de eventos deverão subir de 47,5 mil milhões para 66 mil milhões de euros, no caso de um aumento da temperatura média de 3ºC.

(in The Independent)


Melody

sábado, junho 23, 2007

The Lock Ness Monster´s Song



Sssnnnwhuffffll?
Hnwhuffl hhnnwfl hnfl hfl?
Gdroblboblhobngbl gbl gl g g g g glbgl.
Drublhaflablhaflubhafgabhaflhafl fl fl -
gm grawwwww grf grawf awfgm graw gm.
Hovoplodok - doplodovok - plovodokot - doplodokosh?
Splgraw fok fok splgrafhatchgabrlgabrl fok splfok!
Zgra kra gka fok!
Grof grawff gahf?
Gombl mbl bl -
blm plm,
blm plm,
blm plm,
blp



Tal como o Monstro esta canção é um autêntico enigma (ou talvez não...).


Melody

O Caso do Triângulo


Uma área no Oceano Atlântico ao largo da Florida onde a lenda afirma que muitos navios, aviões e pessoas desapareceram. Tambem conhecido como o Triângulo do Diabo, é limitado por Melbourne (Florida), Bermudas e Porto Rico. Como tantos desapareceram depende de que faz a localização e a contagem. O tamanho do triângulo varia de 500.000 milhas quadradas a três vezes mais, dependendo da imaginação do autor (alguns chegam a incluir os Açores, o Golfo do México e as Indias Ocidentais no "triangulo"). Alguns traçam o mistério até Colombo. Mesmo assim, os incidentes vão de 200 a não mais de 1000 nos ultimos 500 anos. Howard Rosenberg afirma que em 1973 a Guarda Costeira dos EUA respondeu a mais de 8.000 pedidos de ajuda na área e que mais de 50 navios e 20 aviões se perderam na zona, durante o ultimo século.

Muitas teorias foram dadas para explicar o extraordinário mistério dos aviões e navios desaparecidos. Extraterrestres, residuos de cristais da Atlantida, humanos com armas anti-gravidade ou outras tecnologias esquisitas, vórtices da quarta dimensão, estão entre os favoritos dos escritores de fantasias. Campos magnéticos estranhos, flatulências oceanicas (gaz metano do fundo do oceano) são os favoritos dos mais técnicos. O tempo (tempestades, furacões, tsunamis, terramotos, ondas, correntes, etc.) azar, piratas, cargas explosivas, navegantes incompetentes e outras causas naturais e humanas são as favoritas entre os investigadores cépticos.

Alguns cépticos argumentam que os factos não apoiam a lenda e que não existe mistério a ser solucionado, nada a necessitar de explicação. O numero de naufrágios na zona não é extraordinário, dado o seu tamanho, localização e o tráfego que recebe. Muitos dos navios e aviões que foram identificados como desaparecendo no Triangulo das Bermudas não estavam sequer no Triangulo. Até agora, não foi apresentada nenhuma prova cientifica de qualquer fenómeno invulgar envolvido nos desaparecimentos. Portanto, nenhumas explicações "cientificas", incluindo o metano a soltar-se do fundo do oceano, as perturbações magnéticas, etc., são necessárias. O verdadeiro mistério é como o Triangulo das Bermudas se tornou um mistério.

A lenda acerca do Triângulo das Bermudas começou pouco depois de cinco aviões da Marinha dos Estados Unidos (Missão 19) terem desaparecido em 1945 durante uma violenta tempestade, durante uma missão de treino. Pensou-se que mergulhadores tinham descoberto os aviões junto da costa europeia mas a inspecção dos numeros de série mostrou que se tratava de diferentes aviões. A teoria mais lógica é que os instrumentos do aparelho que comandava a missão falharam (os aviões de treino não estavam equipados com instrumentos de navegação) e o grupo perdeu-se e simplesmente, embora trágicamente, ficaram sem combustível não longe de terra. Nenhuma força misteriosa parece estar envolvida para lá das forças da natureza. Os aviões da Missão 19 podem estar afundados em águas profundas e nunca mais serem encontrados.

Ao longo dos anos, os orgãos de informação teem publicado muitas histórias sobre os "mistérios" do Triângulo das Bermudas. No seu estudo, Larry Kushe descobriu que poucos fizeram alguma investigação sobre o assunto. Em vez disso, passaram as especulações dos precessores como se passassem o sumo da verdade. Ninguem fez mais para criar o mito das forças misteriosa no Triângulo do que Charles Berlitz (é mesmo o das escolas de linguas). Um dos seus maiores criticos é Larry Kushe que afiança que "Se Berlitz afirmar que um barco é vermelho, a possibilidade de ele ser de outra cor é quase uma certeza." Após examinar mais de 400 páginas oficiais da Marinha dos EUA do relatório sobre o desaparecimento dos aviões em 1945, Kushe concluiu que nada havia de estranho no incidente nem encontrou qualquer menção de alegadas comunicações radio citadas por Berlitz no seu livro. Segundo Kushe, o que não é mal interpretado por Berlitz é inventado. Já agora, Berlitz não inventou o nome. Este foi dado por Vincent Gaddis em "The Deadly Bermuda Triangle", que apareceu em Fevereiro de 1964 na Argosy, uma revista dedicada à ficção.

Em resumo, o mistério do Triangulo das Bermudas é um tipo de reenforço comunal entre autores acriticos e orgãos de comunicação que passam a ideia especulativa de que algo misterioso se passa no Atlantico.


Mais um caso para os agentes Mulder e Scully.

Um tema fascinante que originou muita conversa ao serão, na minha casa.

Melody

Deixa-me Rir



Deixa-me rir
essa história não e tua
falas da festa, do sol e do prazer
mas nunca aceitaste o convite
tens medo de te dar
e não e teu o que queres vender

Deixa-me rir
tu nunca lambeste uma lágrima
desconheces os cambiantes do seu sabor
nunca seguiste a sua pista
do regaço à nascente
não me venhas falar de amor

Pois é, pois é
há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda Feira

Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
de que falas com tanto apreço
esse curioso alambique
onde são destilados
noite e dia o choro e o riso

Deixa-me rir
Ou entao deixa-me entrar em ti
ser o teu mestre so por um instante
iluminar o teu refúgio
aquecer-te essas mãos
rasgar-te a mascara sufocante

Pois é, pois é
ha quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda Feira


(Jorge Palma)


Dedicado a um amigo.


Melody

sábado, junho 16, 2007

Memórias...



Penny lane there is a barber showing photographs
Of every head he´s had the pleasure to have known
And all the people that come and go
Stop and say hello

On the corner is a banker with a motor car
The little children laugh at him behind his back
And the banker never wears a mac
In the pouring rain
Very strange

Penny lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
I sit and meanwhile back

In penny lane there is a fireman with an hourglass
And in his pocket is a portrait of the queen
He likes to keep his fire engine clean
It´s a clean machine

Penny lane is in my ears and in my eyes
A four of fish and finger pies
In summer, meanwhile back

Behind the shelter in the middle of the roundabout
The pretty nurse is selling poppies from a tray
And though she feels as if she´s in a play
She is anyway

Penny lane the barber shaves another customer
We see the banker sitting waiting for a trim
And then the fireman rushes in
From the pouring rain
Very strange

Penny lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
Penny lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
Penny lane


O primeiro disco dos Beatles editado em Portugal.


Este grupo teve uma forte influência na minha sensibilidade musical e na procura de novas sonoridades.


Por tudo isso o meu obrigada ao grupo de Liverpool.


Melody

Ao Meu Pai




Até um dia paiéééééé!!!!

Melody

sábado, maio 26, 2007

Dirty Dance-Time Of My Life




Um filme que ainda hoje me emociona,pelos valores transmitidos e tantas vezes por mim vividos:

Amizade!

Amor!

Sensualidade!

Confiança!

Verdade!

Musica!

Dança!

Melody

Um outro olhar sobre Israel

sexta-feira, maio 11, 2007

Memorial do Convento (resumo)




«Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: "Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra... Era uma vez a gente que construiu esse convento... Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes... Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido". Tudo, "era uma vez...". Logo a começar por "D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (...). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998).

Um livro inesquecível e imperdível como todos os livros deste nosso escritor.


Melody

José Saramago



José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não perfizera três anos de idade. Toda a sua vida tem decorrido na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas.

No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".

Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976 vive exclusivamente do seu trabalho literário.

Um dos melhores escritores Portugueses.

Melody

terça-feira, maio 08, 2007

Touch Me


Touch me --- in secret places no one has reached before,
--- in silent places where words only interfere,
--- in sad places where only whispering makes sense.

Touch me --- in the morning when night still clings,
--- at midday when confusion crowds upon me,
--- at twilight as I begin again to know who I am,
--- in the evening when I see you and I hear you best of all.

Touch me --- like a child who will never have enough love,
--- for I am a girl who wants to be lost in your arms,
a woman who has known enough pain to love,
a mother who is strong enough to give.

Touch me --- in crowds when a single look says everything,
--- in solitude when it's too dark to even look,
--- in absence when I reach for you through time and miles.

Touch me --- when I ask,
--- when I'm afraid to ask.

Touch me --- with your lips,
your hands,
your words,
your presence in the room.

Touch me --- gently for I am fragile,
--- firmly for I am strong,
--- often for I am alone.

Poema-Prosa de um anónimo que pela intensidade das palavras-imagens, me tocou profundamente.


Melody

segunda-feira, maio 07, 2007

A Alma dos Diferentes


".. Ah, o diferente, esse ser especial!

Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não
foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora,
momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem
assim. E de medo de não aguentar, caso um dia venham, a ser. O diferente é
um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos
sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente,
talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas. Um diferente
medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente
que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os
entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo
inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride. Se o
diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.

O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando
algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere
a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ódio do mediano. O
verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.

O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos
dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o
que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção
aguçada em : "Puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um
estilo próprio em : "Você não está vendo como todo mundo faz? "

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba
incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram
( e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo
dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto
todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora
onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre
sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito
rotiniza. Sofre onde os outros ganham.

Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que
ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda
onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não
desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o
adversário fazer o golo, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele
aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e consciência dolorosa de que a
média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados,
magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo,
excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas
erradas, cheios de espinhas, de malícia ou de baba. Aí estão,
doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas
deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir entender.
Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são
capazes.

Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja
suficientemente forte para suporta-lo depois."

Artur da Távola

A Maldade


"A maldade é congénere do homem"


O desaparecimento de Madeleine McCann e de tantas outras, por este Mundo fora, justifica a citação acima como uma verdade irrefutável.


O homem é o animal que dentro da sua racionalidade, é mais irracional do que todos os outros.


Preferia ter nascido libelinha!


Melody

quarta-feira, maio 02, 2007

Carta de Mia Couto ao Presidente Bush.



Senhor Presidente:

Sou um escritor de uma nação pobre, um país que já esteve na vossa lista negra. Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tínhamos feito.
Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderíamos constituir? A nossa arma de destruição massiva estava, afinal, virada contra nós: era a fome e a miséria.
Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia. Por exemplo, o nosso vizinho - a África do Sul do "apartheid" - violava de forma flagrante os direitos humanos. Durante décadas fomos vítimas da
agressão desse regime. Mas o regime do "apartheid" mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado "envolvimento positivo". O ANC esteve também na lista negra como uma "organização terrorista!".
Estranho critério que levaria a que, anos mais tarde, os taliban e o próprio Bin Laden fossem chamadas de "freedom fighters" por estrategas norte-americanos.
Pois eu, pobre escritor de um pobre país, tive um sonho. Como Martin Luther King certa vez sonhou que a América era uma nação de todos os americanos. Pois sonhei que eu era não um homem mas um país. Sim, um país que não conseguia dormir. Porque vivia sobressaltado por terríveis factos. E esse temor fez com que proclamasse uma exigência. Uma exigência que tinha a ver consigo, Caro Presidente. E eu exigia que os Estados Unidos da América procedessem à eliminação do seu armamento de destruição massiva.
Por razão desses terríveis perigos eu exigia mais: que inspectores das Nações Unidas fossem enviados para o vosso país. Que terríveis perigos me alertavam? Que receios o vosso país me inspiravam? Não eram produtos de sonho, infelizmente. Eram factos que alimentavam a minha desconfiança. A lista é tão grande que escolherei apenas alguns:
- Os Estados Unidos foram a única nação do mundo que lançou bombas atómicas sobre outras nações;
- O seu país foi a única nação a ser condenada por "uso ilegítimo da força" pelo Tribunal Internacional de Justiça;
- Forças americanas treinaram e armaram fundamentalistas islâmicos mais extremistas (incluindo o terrorista Bin Laden) a pretexto de derrubarem os invasores russos no Afeganistão;
- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto praticava as piores atrocidades contra os iraquianos (incluindo o gaseamento dos curdos em 1988);
- Como tantos outros dirigentes legítimos, o africano Patrice Lumumba foi assassinado com ajuda da CIA. Depois de preso e torturado e baleado na cabeça o seu corpo foi dissolvido em ácido clorídico;
- Como tantos outros fantoches, Mobutu Seseseko foi por vossos agentes conduzido ao poder e concedeu facilidades especiais à espionagem americana: o quartel-general da CIA no Zaire tornou-se o maior em África. A ditadura brutal deste zairense não mereceu nenhum reparo dos

EUA até que ele deixou de ser conveniente, em 1992;
- A invasão de Timor Leste pelos militares indonésios mereceu o apoio dos EUA. Quando as atrocidades foram conhecidas, a resposta da Administração Clinton foi "o assunto é da responsabilidade do governo indonésio e não queremos retirar-lhe essa responsabilidade";
- O vosso país albergou criminosos como Emmanuel Constant, um dos líderes mais sanguinários do Taiti, cujas forças para-militares massacraram milhares de inocentes. Constant foi julgado à revelia e as novas autoridades solicitaram a sua extradição. O governo americano recusou o pedido.
- Em Agosto de 1998, a força aérea dos EUA bombardeou no Sudão uma fábrica de medicamentos, designada Al-Shifa. Um engano? Não, tratava-se de uma retaliação dos atentados bombistas de Nairobi e Dar-es-Saalam.
- Em Dezembro de 1987, os Estados Unidos foi o único país (junto com Israel) a votar contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional. Mesmo assim, a moção foi aprovada pelo voto de cento e cinquenta e três países.
- Em 1953, a CIA ajudou a preparar o golpe de Estado contra o Irão na sequência do qual milhares de comunistas do Tudeh foram massacrados. A lista de golpes preparados pela CIA é bem longa.
- Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA bombardearam: a China (1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo (1964), o Peru (1965), o Laos (1961-1973), o Vietname (1961-1973), o Camboja (1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983), Líbano (1983-1984), a Líbia (1986), Salvador (1980), a Nicarágua (1980), o Irão (1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kuwait (1991), a
Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão
(1998), a Jugoslávia (1999)
- Acções de terrorismo biológico e químico foram postas em prática pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suína naquele país.
- O Wall Street Journal publicou um relatório que anunciava que 500 000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra química das forças norte-americanas.
Acordei do pesadelo do sono para o pesadelo da realidade. A guerra que o Senhor Presidente teimou em iniciar poderá libertar-nos de um ditador.
Mas ficaremos todos mais pobres. Enfrentaremos maiores dificuldades nas nossas já precárias economias e teremos menos esperança num futuro governado pela razão e pela moral. Teremos menos fé na força reguladora das Nações Unidas e das convenções do direito internacional. Estaremos,
enfim, mais sós e mais desamparados.
Senhor Presidente:
O Iraque não é Saddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos. Preocupamo-nos com os males do regime de Saddam Hussein que são reais. Mas esquece-se os horrores da primeira guerra do Golfo em que perderam a vida mais de 150000 homens.
O que está destruindo massivamente os iraquianos não são as armas de Saddam. São as sanções que conduziram a uma situação humanitária tão grave que dois coordenadores para ajuda das Nações Unidas (Dennis Halliday e Hans Von Sponeck) pediram a demissão em protesto contra essas mesmas sanções. Explicando a razão da sua renúncia, Halliday escreveu:
"Estamos destruindo toda uma sociedade. É tão simples e terrível como isso. E isso é ilegal e imoral".

Esse sistema de sanções já levou à morte meio milhão de crianças iraquianas.
Mas a guerra contra o Iraque não está para começar. Já começou há muito tempo. Nas zonas de restrição aérea a Norte e Sul do Iraque acontecem continuamente bombardeamentos desde há 12 anos. Acredita-se que 500 iraquianos foram mortos desde 1999. O bombardeamento incluiu o uso
massivo de urânio empobrecido (300 toneladas, ou seja 30 vezes mais do que o usado no Kosovo)
Livrar-nos-emos de Saddam. Mas continuaremos prisioneiros da lógica da guerra e da arrogância. Não quero que os meus filhos (nem os seus) vivam dominados pelo fantasma do medo. E que pensem que, para viverem tranquilos, precisam de construir uma fortaleza. E que só estarão seguros
quando se tiver que gastar fortunas em armas. Como o seu país que dispende 270.000.000.000.000 dólares (duzentos e setenta biliões de dólares) por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de
seres.
O bispo americano Monsenhor Robert Bowan escreveu- lhe no final do ano passado uma carta intitulada "Porque é que o mundo odeia os EUA?" O bispo da Igreja Católica da Florida é um ex--combatente na guerra do Vietname. Ele sabe o que é a guerra e escreveu: "O senhor reclama que os EUA são alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Que absurdo, Sr. Presidente ! Somos alvos dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes popularmente eleitos substituindo-os por ditadores militares, fantoches desejosos de vender o seu próprio povo às corporações norte-americanas multinacionais? E o bispo conclui: O povo do Canadá desfruta de democracia, de liberdade e de direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia. Alguma vez o senhor ouviu falar de ataques a embaixadas canadianas, norueguesas ou suecas? Nós somos odiados não porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos. Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos países do Terceiro Mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas multinacionais."

Senhor Presidente:
Sua Excelência parece não necessitar que uma instituição internacional legitime o seu direito de intervenção militar. Ao menos que possamos nós encontrar moral e verdade na sua argumentação. Eu e mais milhões de cidadãos não ficamos convencidos quando o vimos justificar a guerra. Nós preferíamos vê-lo assinar a Convenção de Kyoto para conter o efeito de estufa. Preferíamos tê-lo visto em Durban na Conferência Internacional contra o Racismo.
Não se preocupe, senhor Presidente.
A nós, nações pequenas deste mundo, não nos passa pela cabeça exigir a vossa demissão por causa desse apoio que as vossas sucessivas administrações concederam a não menos sucessivos ditadores. A maior ameaça que pesa sobre a América não são armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos. O perigo não é o regime de Saddam, nem nenhum outro regime. Mas o sentimento de superioridade que parece animar o seu governo.
O seu inimigo principal não está fora. Está dentro dos EUA. Essa guerra só pode ser vencida pelos próprios americanos.
Eu gostaria de poder festejar o derrube de Saddam Hussein. E festejar com todos os americanos. Mas sem hipocrisia, sem argumentação e consumo de diminuídos mentais. Porque nós, caro Presidente Bush, nós, os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar.

Mia Couto

Março de 2003

Mia Couto


"Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia." (excerto de uma história do livro).


Natural da Beira, Moçambique, o galardoado escritor Mia Couto é considerado um dos nomes mais importantes da nova geração de escritores africanos de língua portuguesa. A escrita tem sido uma paixão constante, desde a poesia, na qual se estreou em 1983, com A Raiz de Orvalho, até à escrita jornalística e à prosa de ficção. Vencedor de vários prémios, tem a sua obra traduzida em alemão, castelhano, francês, inglês, italiano, neerlandês, norueguês e sueco.
Melody

quarta-feira, março 07, 2007

Passamos pelas coisas...


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos
.
Eugénio de Andrade

Time of Peace


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A peace of freedom... Melody